Sexta-feira, 17 de Julho de 2009


KURTAS&BOAS


Católicos políticos



A maioria dos políticos portugueses são católicos praticantes.
Nunca assinam nada sem terem um terço na mão.

Esta foi-me enviada pela Marina Dinis, aliás Princesa Papoila. Agradeço, querida Amiga, muito reconhecido. Acrescento que se pode aplicar também a outros políticos que não apenas os nossos. Coisas... E fico à espera de um textículo. A.F.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009


ISTO&AQUILO

Exames

Carla Isabel
De olhos fixos no chão, subo a escada. Debaixo do braço levo os códigos. Entro na faculdade e avisto alguns colegas. Tudo em grupo a rever as últimas duvidas, perguntas de última hora. Eles apercebem-se da minha presença e acenam-me para me juntar a eles. Lá vou eu. Descemos a escada para ir ao bar. Mais um café. Mais um cigarro. Para descontrair, achamos nós…

Voltamos para cima. Começa a chamada. Estamos todos bem vestidos. Eles de fato e gravata e nós de fato. Tem que ser. Um calor que não se aguenta na sala. Os dedos colam-se às folhas, enquanto tento encontrar um artigo perguntado na oral de um colega.

«Terminou o seu exame». O colega levanta-se e sai. Sem ver, aposto que sacou de um cigarro, e mais uns quantos se levantam e o acompanham na saída. Agora é a minha vez! Sento-me. Dois homens, dois homens banais estão sentados na secretaria à minha frente, num anfiteatro, para dar mais "seriedade" à "coisa", mas não são dois homens banais, afinal são eles que me passam ou chumbam. Um deles tira o lenço do bolso e limpa o suor que lhe corre nas fontes.

Vou respondendo e gera-se um debate. O exame está a correr-me bem. Tenho noção disso. Termino o exame depois de 45 minutos. Já cá, fora dão-me os parabéns. Vamos todos tomar mais um café e mais um cigarro. É a parvoíce dos 20 anos. Esperamos que saia a nota. Uma espera terrível.

Os professores ficam a deliberar... Abre-se a porta e friamente ouvem-se os nomes e as respectivas notas. O meu nome veio acompanhado de um 12...Naquela faculdade um 12 é fantástico! Não é um 12 normal. É uma boa nota! E eu que vinha habituada a 18 e 19 do liceu... Crescendo e aprendendo!


PRAZOS ENTRE POSTAGENS

A partir de agora, dois dias

O Homem põe e os outros dispõem. Mal tinha entrado em vigor o decreto-lei pessoal que estabelecia prazos e coisas dessas, logo começaram a cair-me em cima imeiles das mais diversas proveniências, cores, qualidades e feitios. Feitios. Gente que (ainda) lê este blogue a protestar pela regra dos três dias de intervalo entre postagens a fim de dar tempo a eventuais cumentários (com o). Gente que gosta dos que têm a salutar mania de escrever. Muito obrigado a todos.

Demasiado, foi e é a tónica geral. Há dias, na verdade em que um fulano não deve sair à rua, de noite. Porque um dia é mais do que suficiente, porque os cumentadores (com o) ou postam ou não postam e deixem-se de fitas, porque os contribuidores esperam meses para verem os textículos deles ser publicados, porque, porque, porque.

Passe algum exagero, lembram-me também que este blogue é de todos para todos e que o Timão vale pela sua diversidade, e que uns gostam mais disto, outro daquilo, e que seria do roxo se o Mundo fosse todo amarelo… Face a tais argumentos, nem pensei duas vezes. Levei algum tempo a ruminar e já está.

Bom, acertaram-me. Sem dó nem piedade. Nestas coisas só os burros é que não mudam, diz o Povo e com razão. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, punhada no peito. O que tem de ser tem muita força e contra fatos não há aviamentos. Daí que, e seguindo o velhíssimo aforismo de que in medio virtus:

As postagens serão, de ora em diante, de dois em dois dias. Espero que esta decisão (que o Salomão não desdenharia) seja bem acolhida – por visitantes e por culaboradores (com o). Espero que me digam se sim, se sopas. Espero que acabem aqui os protestos e o diferendo. Espero. Até lá, muito obrigado do todos para todos. Antunes Ferreira

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009





(PER)SEGUIDORES


Nova premiada - Isabel Mendes Ferreira


Ora cá temos a Isabel Mendes Ferreira com direito a um prémio-mistério, por ter sido a nova 180.ª (per)seguidora. O próximo será para o(a) 190.º, como já é habitual. Muitos parabéns!


Preciso, agora, de receber um imeile da Isabelinha com o endereço de correios e - em caso de ser preciso mais algum contacto - o imeile e o(s) telefone(s). Cinco dias a partir de hoje para receber esses dados. Muito obrigado.




Terça-feira, 14 de Julho de 2009


ESTÓRIAS&MINTIROSOS

De Caçadores I

Belmira Besuga
No tempo em que eu era ainda miúdo os meus irmãos mais velhos tinham espingardas de atacar pela boca que eram umas espingardas que se carregavam pelo cano. Estava eu sozinho em casa um dia e deu-me para experimentar a dita espingarda mas não encontrando o chumbo carreguei com a pólvora e as buchas respectivas e em vez do chumbo vá de carregar lá para dentro com cardas de cardar as botas que dantes se usava muito para não se gastarem tanto as solas.

Bom… carregada que estava a espingarda aí vou eu para o campo com ela ao ombro ali por perto de casa que nem homem! Então não é que me aparece à frente uma lebre que até me assusta que só isso me atrapalha. Era um gaiato armado em homem não mais. Mas puxo da espingarda e disparo e não é que acerto na bicha salvo seja entenda-se a lebre. Até eu fiquei pasmado. Tanto quanto ela que ficou a fitar-me sem saber o que havia de pensar que naquele tempo as lebres pensavam.

Pois, mas não querem lá ver que como levava cardas em vez de chumbo a lebre em vez de morrer ficou-se-me presa pelas orelhas com as cardas espetadas no tronco de uma árvore logo ali. Bem que a apanhei claro e a levei para casa que bem foi servir de enche barriga para todos. Mas então não querem lá ver também que por mais que eu contasse como foi que apanhei a dita lebre ninguém acreditava na minha estória. Ainda hoje ninguém acredita. Mas que foi verdade verdadinha ai isso foi.

Sábado, 11 de Julho de 2009

ALCATEIA INDIVIDUAL

Conversa de patamar

Cláudio Gil, o WolfHeart
Aqui há uns
bons anos atrás, no tempo em que eu ainda era relativamente atraente, em que ainda se podia fumar em todo o lado, em que o Papa ainda não tinha morrido, em que o Bush ainda não era imperador da América, em que o Clinton andava com a Mónica na sala oval (o que quer dizer que não se podiam esconder num cantinho), em que as torres ainda não tinham caído, em que ainda só tinha havido uma guerra no Iraque, em que toda a gente, menos os agarrados, se estava marimbando para o Paquistão, em que a Europa ainda só tinha doze e nós não éramos os mais pobres, em que tínhamos um primeiro-ministro que não sabia fazer contas, portanto, como podem constatar pelo tamanho desta frase incrivelmente longa, bem ao meu gosto, só para chatear e confundir, e fazer, basicamente, com que o leitor se perca em labirintos de pontuação e perca de tal forma o raciocínio que, quando chegarmos ao propósito da frase já nem se vai lembrar do começo, há muito, muito tempo, mas, ao invés de ser numa galáxia distante, foi aqui mesmo, neste rectângulo que a Espanha tenta agregar vai para 800 e bués de anos, estava eu a fumar um cigarrito num patamar de escada junto com um tipo que teria, muito provavelmente, o dobro da minha idade, o que não fazia dele, necessariamente velho, mas fazia de mim bem mais novo.

O sítio onde
me encontrava era extraordinariamente bem frequentado por moçoilos e moçoilas cujo objectivo na vida é chatearem os “Sôtôres” e tentar impingir-lhes os produtos que eles vendem e que na prática são iguais os produtos que os outros vendem. Como os “Sôtôres” são gajos e gajas iguais a toda a gente mas têm, por norma, a mania que não, estes moçoilos e moçoilas têm que ir todos bem arranjaditos e até têm que fingir que são pessoal fixe para ver se os conseguem impressionar.

Já eu que, graças a Deus, não sou, nunca fui e não hei-de ser “Sôtôr”, era liminarmente ignorado por esta franja da população, o que para mim era uma bênção. Mas uma vez que foi Deus que criou a injustiça, mais tarde a situação mudou e eu, com a estranha mania que tenho de cumprir as ordens que me são dadas e não dar “abébias” a ninguém, coleccionei, por um lado alguns ódios de estimação e por outro lado a admiração de algumas pessoas, sendo que a minha fama extravasou em muito os limites do meu local de trabalho e me vi rodeado de muralhas de cinismo impressionantes. Mas eu finjo que não percebo, eles fingem que eu não finjo e está tudo bem. Mas onde é que eu ia? Ah, no patamar da escada a fumar o dito cigarrito.

Estávamos então os dois ali quando de repente uma destas moçoilas passou, toda bem produzida e com as habituais camadas de “robialac” na tromba e eu, jovem com sangue na guelra, olhei para a moça, tirei-lhe as medidas todas e enquanto ela ia subindo as escadas eu ia pensando naquela famosa frase “Odeio que te vás embora, mas adoro ver-te a ir…” à medida que o meu cérebro ia registando as proporções e observando as formas hidro-dinâmicas da criatura.

Foi então que reparei que o meu companheiro de patamar me observava (ela já tinha saído do seu campo de visão) com aquele sorriso meio pateta de uma cumplicidade que claramente não existia entra nós, mas que ele achava que sim. Olhei para ele ao fim de algum tempo, ele que não parava de olhar para mim e, sentindo-me já incomodado com a insistência dele atrevi-me a perguntar: «Sim…?». Só para chatear ele tinha que se sair com a frase “chapa quatro”. «Diga-me lá que não mordia aquilo tudo…»

Compreendi de imediato que ele não falava numa tentativa de expressar o que eu faria, mas sim o que ele tinha vontade de fazer. Só que houve um problema na frase dele. Ele assumiu que aquilo que eu estaria a pensar era o mesmo que ele tinha pensado, quando na realidade não era, o que me levou a querer dar-lhe alguma espécie de esclarecimento. Dirigi-me então a ele: «Diga-me, já ouviu falar na Vénus de Milo?». «Sim já». «E na estatua de David?»

«Bem nessa, por acaso, nem por isso. Quer dizer, já ouvi falar mas não tou a ver…» «Humm! Então dou-lhe outro exemplo; a Mona Lisa?» «Sim claro…». «Sabe o que é que estas obras têm em comum?». A pergunta era meramente de retórica e não esperei que ele respondesse. «Na verdade são todas grandes obras-primas. Posso passar horas a olhar para qualquer uma delas e não deixo de me maravilhar com o génio de quem as fez».

Ele assentiu, sem saber muito bem o rumo que a conversa estaria a tomar ou até o que é que a Mona Lisa teria a ver com as formas hidro-dinâmicas da moça. Eu continuei. «A verdade é que, por exemplo adorava ter a Mona Lisa, o quadro original claro, em casa e passar horas a ver a obra-prima de Leonardo. Mas posso-lhe garantir uma coisa, …». Ele olhou para mim com um olhar que era um misto de curiosidade e de desconfiança no que viria a seguir, «…a mim, jamais em tempo algum passaria pela cabeça, nem que apenas fosse por breves momentos, levar o quadro para a cama e fazer sexo com ele».

O gajo ficou
atónito a olhar para mim, não percebendo o que lhe tinha dito, talvez pensando “Fosga-se, nem a ti nem a ninguém, és estúpido ou quê?”. Acabou por concretizar as suas dúvidas quando me perguntou: «Mas o que é que quer dizer com isso?». «O que quero dizer é que a maneira como olho para uma mulher bonita e produzida quando ela passa por mim tem muito mais a ver com uma apreciação meramente estética do que com desejo carnal. Tem muito mais a ver com a admiração da beleza própria do género feminino do que com quaisquer segundas intenções. Claro que não vou dizer que não há uma ou outra que até apetecia, mas essas são quase tão raras como o primeiro prémio no Totoloto».

Ele deixou-se ficar um bocado a olhar para mim, tentando ver toda a significância das minhas palavras, e acabou por dizer ao fim de um bocado: «Tou a ver». – Fez uma pausa, pensativamente, e depois continuou «mas esta tipa que passou era muita bem mordida…». Olhei para ele durante uns segundos, enquanto ele olhava para mim como que à espera que eu confirmasse aquilo que ele me tinha dito. Depois apaguei o cigarro, virei-lhe as costas e fui beber um café…

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009


KURTAS&BOAS

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Nem só de anedotas e estórias estrambólicas vive o homem. Uma curiosidade de quando em vez também tem cabimento nesta secção. Aqui vai a primeira.


No dia 7 de Agosto deste ano de 2009, às 12 horas, 34 minutos e 56 segundos, a hora e a data serão:

12:34:56 07/08/09, ou seja

1 2 3 4 5 6 7 8 9

Isto nunca vai acontecer de novo na nossa vida!!!!


Acharam algum interesse nisto? Querem que vá repetindo as KURTAS&BOAS? Se sim - digam que sim. E contribuam para elas. Sil us plau. Se não - digam que... não. E ficamos Amigos como dantes, quartel-general em Abrantes. Muito obrigado - A.F. com Erlik Figueiredo Ribeiro